12 de jul de 2017

Delícia e diversão: a importância de contar histórias - Parte II

Vania Dohme, em seu livro Técnicas de Contar Histórias, relaciona a idade da criança a temas de interesse. Veja do que seu filho gosta.

Até os 3 anos, a garotada assimila melhor enredos com crianças, bichinhos, brinquedos ou animais com características humanas, ou seja, que falam e têm sentimentos.

Dos 3 aos 6 anos, as histórias devem abusar da fantasia com reviravoltas no enredo e também de crianças ou animais como personagens. Os contos de fada são imbatíveis.
Aos 7 anos, leia aventuras em ambientes conhecidos, como a escola, o bairro, a família. As fábulas continuam em alta.

Aos 8 anos, as fantasias mais elaboradas (Mágico de Oz, Alice no País das Maravilhas, Harry Potter) são ideais.

A partir dos 9 anos, histórias de explorações, viagens, as invenções, os enredos humorísticos prendem a atenção, assim como os contos de mitos e lendas.


Livros ensinam

Os pais que desejam se aprimorar na arte de encantar as crianças por meio da "contação" de histórias podem aprender em livros. Selecionamos duas sugestões:

Acordais, de Regina Machado, DCL, é dirigido também aos professores e aos contadores de histórias.

Técnicas de Contar Histórias para os Pais Contarem aos Filhos, de Vania Dohme, Editora Informal, traz textos de histórias e ainda ensina a montar fantoches.


14 de jun de 2017

Delícia e diversão: a importância de contar histórias

Como transformar a hora do conto em um momento delicioso e divertido para você e as crianças

Ao entrar no universo infantil, o adulto fascina a criança. Elas adoram ouvir histórias. Ficam na expectativa de saber se a princesa de cabelos dourados vai fugir da torre. Torcem pelos irmãos que enfrentam a bruxa malvada. Envolvem-se e encantam-se. Os pais deveriam ler sempre para os filhos. "É um momento especial", diz a educadora Regina Machado. A criança depara com os adultos falando com voz diferente, um brilho alterado no olhar, movimentos ou expressões faciais incomuns. A mudança no comportamento dos pais fascina os pequenos. "A comunicação e a relação com os filhos fica mais estreita", afirma Regina. O resultado desse momento tão particular não poderia ser diferente: a hora do conto se eterniza na memória.


Costume resgatado

Nas antigas sociedades agrárias, contar histórias era natural. "Os mais velhos estavam sempre contando casos e lendas", diz Regina. Mas o costume, segundo ela, foi se perdendo com a modernização, principalmente nos grandes centros. Nem todas as famílias mantiveram a tradição. Muitos pais da atual geração cresceram sem ouvir histórias. Ariel é um deles. "Meus pais não contavam. Eu, aos 9 anos, é que improvisava teatrinhos para contar histórias para minha irmã menor", lembra. Segundo Regina, os pais devem valorizar essa rotina, pois contar histórias é uma forma de aprendizado. "As escolas perceberam isso há algumas décadas e vêm revitalizando o hábito no mundo todo. As crianças gostam do costume e levam-no de volta para as famílias, pedindo histórias aos pais."

Às vezes desacostumados, os adultos ficam atrapalhados no começo. Não sabem bem como fazer, se devem ler ou contar, quais as melhores histórias e o momento de contá-las. Vão aprendendo com a prática. "Eles não precisam converter-se em atores para transformar a hora do conto em casa em um momento agradável e divertido. É mais fácil do que imaginam", diz Vania Dohme, educadora e pesquisadora de técnicas de contar histórias infantis. Ela e outros especialistas dão algumas dicas para você. Bom divertimento!


Entonação

Nada é mais entediante para uma criança do que uma leitura monótona. A voz dramatiza a história. "Dá mais colorido", diz Patrícia Curt Bresser Pereira, roteirista de TV. Mas cuidado para não exagerar, levando a criança a duvidar da "veracidade" da sua história com aquele "Ah, não foi assim, mamãe..."


Ler ou contar

Tanto faz. O historiador Ariel Waissman faz os dois. "Improvisar exige mais da minha criatividade. Já inventei aventuras que o Jaime adorou e pediu que eu contasse de novo. Senti-me realizado. Outras, porém, não fizeram sucesso", confessa. Os enredos improvisados de sucesso têm os filhos como personagens. Mas a leitura é também uma ótima ferramenta. Cria no filho a idéia de que as histórias moram nos livros.


Cenário

Não é preciso muita elaboração para criar cenas. Um simples lápis que se transforma em vara de condão ou um lenço que vira uma capa mágica são capazes de encantar a criança. A contadora de histórias Silvia Lohn prende a atenção da garotada com legumes. "Beterrabas são as princesas. O pimentão é o sapo e o alho-porro, o rei", conta. Os alimentos funcionam bem com as crianças de 2 ou 3 anos. As mais velhas sabem que uma batata é uma batata.


Não tem hora

Se quiser, estabeleça um momento do dia para a história, como antes de dormir. Mas não há regras. "Não tenho uma hora específica. Se meu filho pede e estou disponível, conto", diz Ariel. A roteirista de TV Patrícia Curt conta histórias durante as viagens de carro e também aproveita as refeições para prender a atenção das crianças.


Com vontade

Não obrigue a criança a ouvir histórias quando ela não quer. Muito menos se obrigue a contar quando não está com vontade. "Tem dias que estou cansada e não conto. E a criança também sente quando a gente lê por obrigação", diz Soraya Sabino.


Tintim por tintim

Tente não mudar o enredo das histórias. Crianças pequenas pedem que se repita várias vezes a mesma história. Esperam determinadas partes só para confirmar que as ouviram antes. É assim que também vão compreendendo melhor o conto.


Criando clima

Depois de um dia inteiro fora de casa, não vá direto contando histórias. Converse com seu filho. Esgote as ansiedades infantis. Brinque com ele para entrar no clima e se desprender das preocupações.


No meio do caminho

Prepare-se para interrupções. "A Teresa faz muitas perguntas. Explico o que for necessário e sigo em frente", conta a roteirista de TV Patrícia. Nada mais gostoso que curiosidade de criança e você pode estimular mais devolvendo as perguntas a seu filho.



Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/1%2c%2cEMI3335-10536%2c00.html?preview=S. Acesso em: <08.06.2012>.

17 de mai de 2017

O que faço com meu filho na hora da fúria?

A melhor alternativa é encarar a situação com tranquilidade

Arquivo pessoal Crescer

Pode ser difícil lidar com as variações de temperamento do seu filho, mas a melhor alternativa é encarar a situação com tranquilidade. Quanto mais calmo você estiver, menos chance você tem de piorar a situação e, claro, menores serão as possibilidades de ela insistir nesse tipo de comportamento. Em primeiro lugar, é preciso saber – e explicar à criança – que ela pode, sim, sentir raiva. O problema é como reagir a esse sentimento. O aprendizado vem do exemplo: a forma como adultos agem diante de situações estressantes serve de modelo para a criança. Pode ser uma fase passageira, porém, se persistir, converse com o pediatra ou procure um psicólogo.



12 de abr de 2017

Os seis grandes erros da hora de dormir

Fazer com que o filho durma bem -- e a noite inteira -- é uma das tarefas mais difíceis que pais e mães enfrentam. Porque não se trata de fazer a criança dormir, e sim ensiná-la que dormir é bom e gostoso, e que ela é capaz de adormecer sozinha, sem a ajuda de ninguém.

Até aquelas crianças que costumam dormir bem deixam os pais malucos, às vezes, com períodos de crise e agitação à noite. Estima-se que até 40 por cento das crianças enfrentem dificuldades para dormir.

Os especialistas do BabyCenter identificaram os seis maiores erros que os pais cometem na hora de pôr os filhos na cama. A boa notícia é que todos esses problemas são solucionáveis. Mudanças simples na rotina fazem uma diferença enorme para corrigir os vícios de sono mais comuns.

Quando você conseguir, vai ver que seu filho ficará muito mais tranquilo, e, mais importante, a vida da família inteira vai mudar para melhor. E um aviso: há recaídas pelo caminho. Uma doença, uma viagem, uma mudança de hábitos já atrapalha tudo o que foi conquistado. Mas é só começar a corrigir os erros de novo que tudo vai dar certo e voltar ao normal.


Erro 1: pôr a criança na cama muito tarde

Hoje em dia as crianças dormem menos do que antigamente. Um estudo mostrou que crianças de 2 anos dormem hoje 40 minutos a menos, em média, que crianças da mesma idade da geração anterior. O resultado da falta de sono, segundo estudiosos, é que as crianças acordam mais à noite, têm dificuldade para adormecer e para dormir durante o dia.

É muito comum que os pais cheguem do trabalho tarde, e deixem a criança ir para a cama mais tarde para poder passar mais tempo com ela. Ou que a criança não tenha horários certos para dormir.

A especialista Jill Spivack, autora de um livro sobre como fazer crianças de até 5 anos dormirem bem ("The sleepeasy solution"), afirma: "Quando elas ficam cansadas demais, têm mais dificuldade de pegar no sono e de dormir um sono tranquilo; também acordam mais cedo".

Quando a criança é mais velha, a culpa é muitas vezes da agenda superocupada. Você conhece a história: até todo mundo chegar em casa, jantar, fazer lição de casa etc., a hora de dormir acaba se atrasando mais e mais. E você acaba deixando, na esperança de que alguma hora as crianças acabem desmaiando de sono sem você ter de interferir.

Só que o plano não dá certo, pois, quando estão cansadas demais, as crianças ficam hiperativas.

Solução: Marque uma hora para a criança ir para a cama (e também para o sono durante o dia) e siga esse horário. Não espere até ver seu filho bocejando, choramingando ou esfregando os olhos. Aí provavelmente ele já passou do ponto. Coloque-o na cama antes disso. Até 15 ou 20 minutos de sono a mais podem fazer uma bela diferença.

É verdade que cada criança é diferente, mas vai uma regra geral: bebês e crianças de até 3 anos normalmente precisam dormir 11 horas à noite. Quando deixam de dormir durante o dia, as crianças precisam de 12 horas, e quando ficam mais velhas podem dormir de 10 a 11 horas.


Erro 2: apelar para o movimento

É difícil não sucumbir a esse truque quando o bebê é pequeno. Ele não dorme de jeito nenhum: você coloca no carrinho, balança no colo, deita com ele na rede, caminha com ele pela casa e pronto, a paz voltou a reinar.

Não há problema em recorrer ao balanço e ao movimento como um dos últimos recursos, em situação de emergência, mas alguns pais e mães acabam caindo na armadilha de usar sempre a mesma estratégia para fazer a criança dormir.

"Quando a criança sempre dorme em movimento -- em carrinhos ou no carro --, ela não chega a ter aquele sono mais profundo e restaurador", diz o pediatra Marc Weissbluth, também autor de um livro sobre o assunto ("Healthy sleep habits, happy child"). Pense na qualidade do seu sono quando está no ônibus, ou no avião.

Solução: Use o movimento e o balanço para acalmar a criança, mas não para fazê-la dormir. E, se não tiver jeito, procure completar o sono sem o balanço: estacione o carrinho, desligue o balanço do bebê-conforto. Se a viagem de carro for comprida, porém, desencane. É uma vez na vida e não vai haver problema nenhum. Aproveite e aprecie o silêncio!


Erro 3: excesso de estímulos

Veja o móbile do berço, por exemplo: às vezes, em vez de acalmar e distrair a criança, ele a acorda ainda mais. Cuidado com sons altos e cores muito intensas. Para crianças maiores, é bom tirar o excesso de brinquedos da cama ou do berço.

Solução: Mantenha o quarto bem escuro à noite, e elimine tudo o que chame a atenção da criança na hora de dormir. Para bebês, numa escala de 1 a 10, sendo 10 o mais escuro, o quarto deve estar no 8 ou no 9, diz Spivack.

Para crianças mais velhas, é possível manter uma luz no quarto, para afastar os medos, mas que não seja suficiente para outras brincadeiras. Por isso também é melhor não manter a TV ou o computador no quarto da criança.


Erro 4: não seguir um ritual na hora de dormir

Com um bebê, é mais fácil seguir a mesma rotina todo dia: um banho, alimentação, uma história ou uma música. Mesmo que você ache que a criança ainda não entenda, a previsibilidade da rotina ajuda a acalmá-la.

Muitas vezes, os pais acabam abandonando esse tipo de rotina quando os filhos ficam maiorzinhos (ou porque acham que a criança não precisa mais ou porque simplesmente estão exaustos demais para pensar nisso). Mas até para os adultos a instalação da rotina é positiva.

Solução: Crie um ritual para a hora de dormir e siga-o sempre. Não importa a idade da criança. O ritual ajuda a dar "pistas" a ela de que é hora de começar a sossegar.

Consulte nossas ideias para rituais para bebês e para crianças de 1 a 3 anos.


Erro 5: fazer as coisas cada dia de um jeito

Alguns dias por semana, quando seu filho está bem manhoso, você se deita com ele até ele adormecer. Outros, deixa que ele pegue no sono no sofá da sala, assistindo à TV. E de vez em quando, obriga-o a dormir sozinho no quarto, reclame o quanto reclamar.

O problema não é o método, mas a inconstância. Pode ser até que você não se incomode de dormir no quarto dele, ou de tê-lo na sua cama a noite toda, mas na maioria das vezes os pais acabam presos numa situação que não teriam planejado se tivessem a opção.

Você conhece bem o caso. Uma hora da manhã. A criança chora, você vai até o quarto, espera ela se acalmar e volta para a cama. Uma hora depois, a mesma coisa. Da próxima vez, lá pelas 3h, você não aguenta e a leva para sua cama, para que ela finalmente durma. Nesse caso, a mensagem que você está passando para o seu filho é: insista bastante, que você vai acabar conseguindo o que quer.

Solução: Crie (e siga!) regras sobre o lugar de dormir.

Se você não quer que seu filho vá todo dia para sua cama, deixe isso bem claro. Explique que ele tem de dormir na cama dele. No começo, talvez você precise levá-lo de volta algumas vezes (ou muitas!). Mas não desista. Ele vai acabar absorvendo a regra.

É claro que há exceções. Se ele está doente, ou há uma tempestade lá fora, você pode deixá-lo ficar um pouco na sua cama, ou num colchão no seu quarto. Mas, assim que a situação extraordinária acabar, retome a rotina e explique que ele tem de dormir na cama dele.

Há quem não se importe em dividir a cama com as crianças. Se todo mundo estiver feliz, não há problema nenhum. O que não vale é mudar de opinião dependendo do dia, porque aí seu filho não vai ter a segurança de saber qual é o lugar certo para ele dormir.


Erro 6: passar do berço para a cama antes da hora

Seu filho completa 2 anos, e a família toda fica feliz e empolgada para mudar o quarto dele e colocá-lo numa cama para crianças grandes. Ou tem um irmãozinho chegando, e o berço passa para ele.

Só que, logo depois da mudança para a caminha, a criança começa a acordar no meio da noite, ou se recusa a adormecer.

Há muitas crianças que, até os 3 anos, ainda não estão prontas para deixar a segurança do berço para trás.

Solução: Espere até a criança estar pronta para deixar o berço, ou volte atrás e traga o berço de volta.

Perto dos 3 anos, pode ser que seu filho esteja ficando pronto para ir para a cama. Cada criança tem seu ritmo. Leia nosso artigo sobre essa transição e lembre-se de que ela não precisa ser definitiva. Você pode colocar a cama no quarto por um tempo, até a criança se acostumar, ou então deixar um colchão no chão para sonecas da tarde.

É mais ou menos como o desfraldamento. Às vezes voltar atrás é a melhor solução. Voltar para o berço não é uma tragédia. Por mais que adore o berço, não há nenhuma chance de ele ficar até os 10 anos nele...




15 de mar de 2017

Como lidar com a birra e a teimosia do seu filho



Beto Tchernobilsky


SUPERMERCADO Você precisa fazer as compras do mês e seu filho vai junto. Além de não parar de pedir brinquedos, doces e salgadinhos, ele decide provar e até escalar prateleiras.

Na hora: os pedidos desenfreados das crianças nos supermercados são absolutamente perdoáveis, afinal, tudo parece muito tentador até para nós, adultos. Se o “eu quero, eu quero, eu quero” durar mais do que você suportaria ouvir, combine que ele pode escolher um item para comprar. “Se tirar algo do lugar, peça que recoloque no local certo”, diz Betina Serson, psicopedagoga. Mas você não pode deixar passar o fato de a criança ter aberto pacotes porque “estava com vontade”. Você só tem uma opção: pegue o que ela abriu, ponha no carrinho e pague no caixa, mostrando para ela que não se pode consumir nada sem pagar. Ah! Ela perde o direito de levar o produto que mais queria, porque não soube se comportar.

Sempre: combine que a criança será seu ajudante. Assim ela vai cooperar mais e, se cometer algum deslize, você diz aquela boa e velha frase “mas nós já tínhamos combinado...”. Dar um lanche antes evita a “síndrome do estômago vazio”. Se no dia da compra ela estiver de mau humor ou com sono, não leve a criança junto ou, simplesmente, não vá.

CINEMA E EXPOSIÇÃO O filme, para vocês, acaba na metade — tem alguém com sono ou vontade de fazer xixi. Na exposição, ele acha que as esculturas são de massinha e resolve brincar com elas.

Na hora: quando ele começar a mexer nas peças, diga que não pode. Vá mostrando uma a uma e tente explicar, em uma linguagem simples, o significado. No cinema é mais complicado, porque as atitudes do seu filho realmente vão atrapalhar os outros. Sendo assim, a única opção é sair com a criança da sala. Outra dica: antes, leve-a ao banheiro e pergunte se quer comer pipoca. Duas possíveis saídas você consegue evitar.

Sempre: explique o que é uma exposição e o que vocês vão ver lá. É bacana adiantar o assunto, mostrar algumas obras do artista para a criança estabelecer uma primeira identificação. “O costume dos pais de visitar exposições vai determinar o comportamento do filho. Se este for um hábito da família, ele vai saber como se comportar”, diz Maria Irene Maluf, psicopedagoga. Se não for, vale o alerta: crianças com menos de 4 anos dificilmente vão parar para observar uma exposição. Elas não agüentam programas tão longos.

AMIGOS DA FAMÍLIA Depois de meses tentando agendar um encontro, vocês conseguem marcar na casa de um amigo — mas que não tem filhos. O sofá é transformado em pula-pula.

Na hora: se seu filho apronta dessas em casa, é provável que repita o mesmo comportamento na sala dos outros. Não adianta brigar na frente dos seus amigos, porque se o objetivo da criança era chamar a atenção, a sua reprovação em público vai confirmar que a idéia deu certo. Ignorar também não ajuda. “Os pais devem criar um código com os filhos, para eles perceberem quando está tudo bem e quando não está”, afirma Mauro Godoy, psicólogo.

Se você pede uma vez e ele não pára, leve-o até um canto da casa e diga que se ele não se comportar vocês vão embora. Fale em tom sério, sem elevar a voz. Se nada disso adiantar, junte a bolsa e os filhos, peça desculpas aos amigos e vá embora. E em casa, retome o assunto, para que a solução não seja sempre terminar o programa mais cedo.

Sempre: explique para a criança como vai ser o passeio, quem são as pessoas que vocês vão visitar e quais as regras daquele ambiente — que não precisam ser as mesmas da sua casa. Mas lembre-se também de levar brinquedos ou promover atividades para entretê-la, porque uma reunião de adultos realmente não será atrativa para uma criança.

Beto Tchernobilsky

LOJAS E SHOPPING CENTER O passeio no shopping virou corrida de aventura. Eles pulam, tropeçam, bagunçam e, dentro das lojas, se escondem atrás das araras de roupas.

Na hora: se seu filho sair correndo, não vai ter outro jeito senão correr atrás, porque ele pode se perder ou se machucar. Tente continuar o passeio de mãos dadas ou coloque-o no carrinho. Nas lojas de roupas, é a mesma coisa, você vai precisar encontrá-lo. Avise a segurança da loja que tem uma criança perdida, assim eles podem anunciar o nome dele e dar mais atenção às saídas. Quando ele for encontrado — mesmo você estando desesperado pelo medo de perdê-lo, e com uma vontade louca de dar-lhe uma boa bronca —, respire fundo. Nessas horas, a psicopedagoga Betina aconselha dizer:“brincar de esconde-esconde tem lugar certo. Aqui não é. E eu poderia não ter te encontrado”. Se fizer bagunça, faça-o recolher as roupas do chão e entregar para as vendedoras. Outra saída é levá-lo embora, em vista do mau comportamento, e voltar sem ele.

Sempre: para ele valorizar a arrumação das lojas, mostre em casa como é importante ter tudo em ordem. E também vale deixar claro o quanto o passeio fica mais gostoso quando ele fica ao seu lado.

TRANSPORTE PÚBLICO Brincar no corredor do ônibus ou fazer das barras do metrô um balanço. Quem puder que se segure.

Na hora: tire a criança do corredor e peça que fique sentada. Mostre o quanto é perigoso ficar brincando dentro de um transporte. Ela pode cair e se machucar. No metrô, a dica é a mesma.

Sempre: conte aonde vão e combine que ela vai escolher onde sentar. Na maioria das vezes, a resposta é: do lado da janela. Dê um OK, mas lembre-a de que não pode ficar nem em pé nem com o braço para fora.

RESTAURANTE Faz tempo que a família toda não faz um programa à noite. Vocês escolhem o restaurante e, para sua “surpresa”, correr entre mesas e garçons é mais divertido que esperar sentado à mesa.

Na hora: segure-o o quanto antes, para que não ocorra colisão entre garçom e criança. Leve-o para dar uma volta, de mãos dadas, na área externa ou no jardim — se existir. Peça também uma entrada leve e rápida, que não vá fazer com que ele perca a fome por completo, mas que o distraia. Se for muito tarde, dê alguma coisa para ele comer antes de sair de casa. Leve brinquedos, giz de cera — que não mancha roupas como canetinha — e umas folhas em branco para ele desenhar. Escolher um restaurante que tenha área para crianças é válido, porque aí elas têm espaço para entretenimento garantido. “Pergunte-se: se eu tivesse 4 anos, eu gostaria de ficar neste lugar?”, diz Mauro.

Sempre:
preocupe-se em fazer das refeições em família um momento especial, de reunião.Vai ser mais fácil reproduzir isso em um lugar público.

PRAÇA Você arruma um tempo na agenda e leva seu filho à praça mais próxima. No começo, ele se diverte com os próprios brinquedos. Mas, de repente, bate no colega que está ao lado, porque ele queria a bola emprestada.

Na hora: aparte a briga. Depois, diga para ele pedir desculpas e mostre o que causou na outra criança, para ele entender que machucou alguém.

Sempre: lembre-se que se você resolve seus problemas batendo no seu filho, por exemplo, ele vai achar que isso é o normal.Trabalhe em casa a importância de dividir e compartilhar. Chame alguns coleguinhas dele, peça para cada um trazer um brinquedo diferente. Na hora da brincadeira, eles têm de trocar. E tudo bem, não significa que a outra criança não vai devolver, apenas que ela, por alguns instantes, queria brincar de outra coisa.


Fonte: http://revistacrescer.globo.com/Revista/Crescer/1,,EMI1600-15069,00.html?preview=S. Acesso em: <13.04.2012>.

15 de fev de 2017

ATRASO NA FALA E FALA INFANTILIZADA

É bem comum encontrar as famílias assustadas quando percebem que sua criança está demorando para falar ou prolonga uma fala infantilizada. Vou começar refletindo sobre como lidamos com as situações. Primeiro em relação à fala atrasada. Você tem conversado com o seu bebê? Estimula barulhos e expressões? Saiba que a motivação da criança vem dos seus cuidadores. Um lar silencioso, uma relação “muda” não estimulará a criança a falar ou balbuciar. Esse exercício de conversar com a criança diariamente a permitirá, inicialmente por imitação, a ousar em tentativas de fala.
   
Converse com seu bebê durante a rotina diária: hora do banho, troca de fraldas, momento de amamentação. Nesses momentos, pronuncie corretamente as palavras, de maneira natural, com tom de voz que atraia a atenção e capriche na expressão facial. Ressalto a necessidade de uma pronuncia correta para a criança, ela precisa de exemplo. Ao ouvir os balbucios e as vocalizações, olhe no olhinho dela com doçura e amor. Ela se comunicará com você e receberá como mensagem que está agradando (reforço positivo).
 
Faça festa! Criança gosta de movimento e barulhos agradáveis. Isso demonstrará o seu interesse pelo avança dela. Quando pegar algum objeto, mostre a ela e diga o nome correto do objeto. Introduza os nomes entre um “bate-papo e outro”.  Dá mesma forma, introduza o nome dos familiares: olha a Dindinha chegando! Veja o papai! Joana está aqui! As ações também poderão ser introduzidas enquanto você realiza o fazer diário: vamos BRINCAR! Hora de TOMAR banho! PEGUE a bola! 

Abuse das músicas infantis. Elas fornecem elementos para a ampliação do vocabulário e agradam pela sonorização. Aos poucos, vá introduzindo os livros infantis. Deixe-a folhear com você e aponte as imagens, nomeando. Vá enriquecendo a imaginação e o vocabulário dela com a riqueza dos livros. Apresente as novidades sempre que saírem para passear. Antes mesmo de saírem, vá contando o que irão encontrar. Será um gostoso exercício para vocês.

Estimule o pensar com perguntas. Faça muitas perguntas, mas permita a manifestção da criança. Não pergunte e responda. Perguntar estimulará o pensar e a linguagem. Escute com muita atenção. Não faça cara de não entender. Procure mostrar que está entendendo e estimule falar mais para que, de verdade, você a compreenda. Deixe-a formar a frase sozinha. Nada de pressa. Não complete a frase por ela. Tenha paciência e saiba esperar o tempo da criança. Sua ansiedade não pode passar para ela. Cada criança terá o seu momento. Só a compare com ela mesma, entendeu? 
   
E quanto à fala infantilizada? A criança procura exemplo. Se ela manifesta uma fala infantil para a idade dela, provavelmente, alguém está sendo infantil com ela. Se sua criança falou uma palavra errada, não a repita. Fale a palavra correta. Exemplo: “Pepeta, mamãe!” “Não é pepeta, filha, é chupeta.” Percebe que temos 2X1. Isso mesmo! Duas palavras erradas contra uma certa. Qual palavra tem mais chance de ficar gravada na cabecinha dela?
  
Adivinhar o que a criança quer falar, atrasa a fala. Falará para quê se tem quem fala por ela? Conversar como um bebê com a criança a infantiliza. Crescer para quê se está claro que a mamãe ou o papai quer um bebê? 
   
Amamos tanto essa fase inicial que não percebemos que nossas atitudes acabam sendo egoístas com os nossos filhos. Vê-los falar errado agrada tanto os ouvidos que reforçamos só para o nosso prazer. Saibamos aproveitar o momento da audição da primeira fala errada e imediatamente promover o crescimento dos nossos filhos. Sem antecipar nada, apenas sendo bons exemplos.



Fonte: http://fabiolasperandiodocouto.blogspot.com.br/search?q=atraso+na+fala

18 de jan de 2017

O que faz a criança precisar de alguém ao seu lado para adormecer ou dormir?

A dificuldade em uma criança adormecer sozinha e o despertar noturno decorrem tanto das sensações ou alterações corporais, como superestimulação, frio ou calor, sede, fome ou dor, quanto das questões de natureza psíquica, como temores, estresse ou pesadelo. Diante destas situações, muitas crianças solicitam a presença de alguém ao seu lado para adormecer ou buscam uma figura de referência no meio da noite porque sozinhas ainda não são capazes de lidar com – e até mesmo verbalizar sobre – estes incômodos.
Na tentativa de acolher o pequeno que não dorme ou acorda na calada da noite, cada cuidador vai experimentando meios de tranquilizá-lo: pega-o no colo em silêncio para que ele não desperte ainda mais; amamenta-o porque o leite “acalma”; fica junto – dormindo, assistindo TV ou mesmo brincando em plena madrugada – porque a criança “quer companhia”; entre tantos outros.

A criança que tem o sono interrompido e não consegue retomá-lo sem ajuda, assim como aquelas que precisam de alguém ao seu lado para adormecer no sono diurno ou noturno (ou que necessitam de rituais que a faça “apagar”, como dormir no carro/carrinho dando volta no quarteirão), precisa do outro para sentir-se segura e protegida. Como dormir é um momento de extrema solidão – psiquicamente ficamos sós, nós com nós mesmos – ficar só pode ser deveras perturbador. É por isso que acolher fisicamente a criança costuma “funcionar”. No entanto, apenas acolhê-la corporalmente, dando colo ou a mão, dormindo junto, ficando no quarto, entre outros, nem sempre é o suficiente para fornecer os recursos necessários para a criança conseguir adormecer e ou dormir sozinha a longo prazo.

Dormir implica na transição entre estar acompanhado-estar desacompanhado. Portanto, para que o adormecer e o despertar sejam vividos com tranquilidade, garantindo inclusive a saúde emocional de toda a família, é preciso ajudar a criança na transição do estado de vigília para o sono, de estar acompanhada para estar só.
Se, por alguma razão, as falhas ambientais forem vividas pela criança como rupturas, a criança pode se sentir menos segura, tendo, portanto, maior necessidade da presença concreta de alguém de sua confiança.

Em muitos momentos a presença física de alguém se faz necessária nesta passagem. Os bebezinhos, por exemplo, por não estarem ainda totalmente separados da mãe do ponto de vista psíquico, precisam da presença física dela (ou substituto) para ter a sensação de continuar existindo. É por isso que a dedicação e a prontidão das mães, traduzindo e atendendo às demandas do bebê nos primeiros meses de vida, é tão importante para que ele possa cada vez mais ir se sentindo seguro e, consequentemente, suportando o prolongamento do tempo sem a presença materna.

Assim como alguns bebês e crianças nunca adormeceram ou dormiram sozinhos, há bebês e crianças que costumavam adormecer com facilidade e tinham o sono ininterrupto, mas, de “uma hora para outra” passam a acordar no meio da noite ou a reivindicar a presença de alguém ao seu lado para adormecer ou dormir. Em geral estas situações, temporárias ou não, surgem sempre que o bebê ou a criança vivencia em algum grau a angústia de separação ou dispende muita energia em alguma nova habilidade que está adquirindo. Neste último caso, a situação tende a ser passageira e menos angustiante para o bebê ou a criança.

Embora alguns autores nomeiem a angústia de separação por crises do primeiro trimestre, crise dos 8 meses, e assim por diante, prefiro não fazer tais nomeações, já que as vivências de separação, com maior ou menor intensidade, são experimentadas a vida toda. Mesmo os pesadelos infantis, responsáveis por grande parte dos despertares noturnos, em sua maioria falam de algum temor de separação (ser engolido, sequestrado, perder os pais – por morte ou outra razão, se perder ou morrer, etc.).

Como acontece com os bebezinhos, nestes momentos de “crise” é preciso resgatar a devoção ao bebê ou criança. Mesmo que em alguns momentos seja preciso o contato físico, ele jamais deve substituir palavras de conforto que ajudem a criança a entender seu temor – Sei que você não queria se separar da mamãe, mas enquanto você dorme, vou fazer tais e tais coisas. Assim você descansa e quando acordar vamos brincar juntos. Este exemplo, que poderia ser qualquer outro, reconhece o sofrimento da criança, e pontua que a mãe continuará existindo e voltará a cuidar do filho quando ele acordar.

Esta tarefa de estar disponível e nomear a situação nem sempre é rápida, simples e fácil, especialmente porque ela costuma ser necessária no meio da noite, repetidas vezes, prejudicando o sono de toda a família. Exatamente por isso, condutas de levar a criança para a cama dos pais acabam sendo a “melhor” alternativa em muitos lares.  O grande problema é que nessas situações se cria hábitos difíceis de serem eliminados posteriormente, mesmo que a criança já se sinta mais segura para dormir sozinha. Um exemplo clássico são crianças com 6-8 anos, ou até maiores, que só dormem na cama dos pais ou com a presença de um deles no quarto. Outro risco é reforçar a relação “grudadinha” entre o adulto e criança.

Para não ficar colado no corpo, além das palavras, pode ser bem rico encontrar com cada bebê e criança algo que substitua a presença física do adulto – uma luzinha, um bichinho de pelúcia, um paninho, que podem ser fornecidos nos momentos de transição presença-ausência. No entanto, eles só terão validade enquanto substituto humano se, na presença do adulto, a criança encontrar a segurança que ela precisa ou a liberdade para também estar só.

Separar pode ser muito doloroso, tanto para os filhos, como para os pais. Mas para crescer é preciso passar por isto!



Fonte: http://ninguemcrescesozinho.com.br/2016/06/27/o-que-faz-a-crianca-precisar-de-alguem-ao-seu-lado-para-adormecer-ou-dormir/