17 de fev de 2018

Pais, vocês estão preparados para seu filho entrar na escola?

Não pense que só a criança tem de se adaptar ao início da vida escolar. Os pais também precisam de um tempo para assimilar essa nova etapa


Manoel Marques / Produção Cinthia Pergola

Confie na escola
Parece óbvio, mas nem sempre acontece. É o primeiro passo para que a criança também se sinta segura no novo local. “É como se a mãe autorizasse alguém a cuidar do filho dela, e é nessa autorização que o processo de adaptação da família começa a dar certo”, afirma Liamara Montagner, coordenadora de educação infantil. Para que haja confiança, por sua vez, é importante que a escolha da escola tenha sido bem trabalhada. Quando é indicação de amigos ou familiares, fica fácil. Para quem não tem tais referências, esse vínculo se estabelece na medida em que os pais conhecem e se identificam com os princípios que norteiam o projeto pedagógico e a concepção de aprendizagem. E, naturalmente, precisam acreditar nesses valores éticos e morais estabelecidos pela escola.

Converse sempre com a equipe pedagógica
Não só as crianças, mas também os pais têm de ser assistidos no processo de adaptação. Esclarecendo dúvidas e conversando sobre eventuais incômodos, angústias e insatisfações com coordenadores e professores, os pais adquirem intimidade com a escola e se sentem mais confortáveis em relação a ela.

Aproveite a troca entre pais
O processo de adaptação é uma oportunidade de os pais se conhecerem, interagirem e compartilharem sentimentos. Nas conversas, descobrem que as crianças são muito semelhantes entre si e que eles, por sua vez, estão passando pelas mesmas angústias. Ao mesmo tempo, vão criando um vínculo no ambiente escolar. “Mães e pais que têm filhos mais velhos na escola exercem um papel importante nessa hora, pois passam segurança para os que estão sendo recebidos pela primeira vez”, diz a psicopedagoga Edimara de Lima, diretora de escola.

Lembre-se de que conquistas requerem esforços
“Existe uma tendência de os pais quererem superproteger os filhos, evitando ao máximo que sofram. Mas é importante lembrar que o ingresso na escola e as primeiras separações da mãe ou de casa fazem parte do processo de crescimento da criança”, afirma Paula Bacchi, orientadora de escola infantil. Ela acrescenta que os pais devem ter em mente que certas conquistas vêm acompanhadas de dificuldades. Representam também um amadurecimento da criança, e a escola é um excelente ambiente para isso acontecer.

Atente para o tom da separação
Despedidas dramáticas, duradouras e carregadas de emoção são um prato cheio para dificultar a entrada das crianças na escola. Independentemente do comportamento delas, os pais devem procurar dar um tom leve e até mesmo prático às despedidas. Duro, né? Mas é fundamental para que a criança perceba que não existe a opção de um choro segurar o pai ou a mãe na escola por mais tempo.

Preserve a rotina da criança em casa
Não é hora de mudanças de cama, de quarto, retirada de fraldas, chupeta, mamadeira e coisas do gênero.

Adapte-se aos horários e tenha assiduidade
“Nos primeiros dias, a pontualidade na hora de buscar é crucial. Um atraso pode deixar a criança insegura, com medo de que a mãe não volte, e dificultar a despedida e a permanência nos dias seguintes”, diz Edimara de Lima, diretora pedagógica. Mesma pontualidade no início do dia também para que a criança inicie as atividades com o grupo. Evite faltas, para que a criança se insira logo na rotina escolar.

Tenha cuidado com o que diz – e com o que não diz
Algumas armações, por mais inofensivas que possam parecer, costumam atrapalhar significativamente o processo de adaptação da criança. Na despedida, por exemplo, frases como “você vai ficar bem, não é?” ou “você não vai chorar, vai?” acabam sugerindo à criança que tenha comportamentos desse tipo. Criar expectativas exageradas, dizendo à criança que ela vai adorar, que a escola é maravilhosa, que as professoras são fantásticas etc., também pode ser prejudicial, pois pode gerar decepções para o pequeno. Por fim, nunca minta para seu filho (dizendo que vai para um lugar caso vá para outro) e, por mais que ele esteja brincando bem e tranqüilo, nunca vá embora sem se despedir. Isso quebra a relação de confiança com a mãe e pode gerar na criança o medo de ser abandonada naquele lugar estranho.

Choros são normais
O choro não significa que a criança não está gostando da escola. É uma maneira de ela dizer que é difícil se despedir da mãe. Paula Bacchi, diretora de colégio, acrescenta que é comum esse choro terminar assim que as mães viram as costas. Se o lamento se prolongar, vale investigar, claro. Ah, sim, tem muita mãe que também não agüenta as lágrimas. Mas tem de, pelo menos, não deixar a criança ver.

Não demonstre ter dúvidas
Comentários negativos em relação à escola nunca devem ser feitos diante delas. Se a criança perceber a insegurança da mãe, pode tomar o sentimento para si ou ainda se aproveitar da situação e recorrer a chantagens emocionais.

Tenha paciência
A maioria das crianças leva uma ou duas semanas para se adaptar à escola. Há algumas que levam dias e outras, meses. Isso não quer dizer que as de adaptação mais lenta vão gostar menos da escola. Significa apenas que precisam de um pouco mais de tempo. Resta respeitar o ritmo da criança.

Afaste-se por um tempo dos relacionamentos antigos
No caso de crianças que estão mudando de escola, convém, durante o período de adaptação, não incentivar o contato freqüente com amigos da escola antiga. Depois de a adaptação estar bem sucedida, o contato pode voltar a ser como era, mas, no início, é bom dar a chance para o pequeno receber o novo ambiente com certo afastamento da vivência anterior.

Sem culpas ou cobranças
Especialmente entre mães que colocam as crianças cedo na escola por motivos profissionais, a culpa é muito comum. “Mãe trabalhando em período integral é a realidade de muitas famílias, e a criança terá de conviver com isso. Não é um mal, mas um componente da família, que gera satisfação pessoal para a mãe ou, no mínimo, um aumento da renda familiar”, diz a psicopedagoga Edimara de Lima. Por isso, não é caso de se cobrar em relação às dificuldades próprias ou dos filhos.

Respeite as orientações
“É fundamental que os acompanhantes das crianças na adaptação atendam às solicitações passadas pelas professoras e pela coordenação da escola”, diz Liamara Montagner. E nos detalhes. Respeite a experiência da equipe no assunto.

Está tudo bem. Mas acabou?
Um belo dia, a criança chega feliz à escola, despede-se dos pais, fica bem durante todo o período e volta para casa lembrando as coisas boas vividas no dia. A adaptação está concluída? Talvez. É possível que seu filho, que ficou ótimo na primeira semana de aulas, apresente dificuldades na semana seguinte. Outra criança pode apresentar problemas dali a 15 dias ou um mês. Segundas-feiras, voltas de feriados e especialmente de férias também são momentos delicados, em que choros e reclamações nas despedidas podem voltar a aparecer. O importante, então, é os pais, como sempre, conversarem com a escola, que vai atentar também para eventuais jogos emocionais feitos pela criança. Satisfeitos com a escola escolhida, acreditem que é o lugar onde tudo acontece pelo bom desenvolvimento e bem-estar da criança.


17 de jan de 2018

Escola: uma decisão importante

Decidida a matricular seu filho na escola? Então, mãos à obra! O futuro começa agora e já é hora de decidir onde ele vai estudar. A questão é da maior importância e passa por uma série de aspectos, que a Revista CRESCER pesquisou cuidadosamente e lhe trouxe para facilitar a sua vida nessa difícil escolha.

A seleção deve começar pela linha pedagógica: você vai priorizar uma formação humanista em que se preza a criação de um ser crítico ou optar por uma linha mais pragmática, em que o foco é o conteúdo voltado para o vestibular e o êxito profissional? Para conhecer cada uma das linhas existentes, questione nas escolas que visitar todas as suas curiosidades a respeito.

A seguir, verifique se o corpo docente é composto por profissionais especializados. A partir daí, procure conhecer alguns aspectos que são fundamentais para que seu filho comece da melhor forma possível uma relação que pode durar a vida toda:

– As portas têm de estar abertas aos pais: você tem o direito de falar com a diretora, a coordenadora, a professora e quem mais lhe interessar.
– O projeto pedagógico tem de ser claro: eles são os princípios que vão nortear todas as práticas na escola.
– Os professores têm de ser estimulados a ter uma formação contínua.
– O discurso da instituição não pode ser vazio, como “a escola prioriza a autonomia”.
– A brincadeira tem de ser dirigida. O espaço deve garantir a autonomia da criança na sala.
– O método de aprendizado tem de ser do seu gosto: lição de casa, materiais utilizados, trabalhos por temas, incentivo à leitura etc.
– Como são trabalhados os direitos e os deveres? E os limites?
– O espaço físico tem de ser iluminado, gostoso. Não pode ser apenas um quintal adaptado.
– O lanche oferecido por eles deve ser saudável, bem cuidado. Convém checar as instalações da cantina.
– A rotina escolar deve propor horários para se fazerem as coisas e demonstrar organização e bom aproveitamento do tempo.
– Os valores da escola têm de combinar com os seus.


Fonte: Boletim CRESCER Online. Acesso em: <14.02.2012>

16 de dez de 2017

Faça do seu pequeno um grande Papai Noel

Da empolgação dos pais, parentes e amigos, sobrou a poeira e faltou lugar no quarto. Estou falando da montanha de brinquedos esquecidos num canto, num cesto ou numa caixa. Esse é o cenário do ambiente em que se desenvolvem muitas crianças, principalmente as de classe média. Aproveito essa época do ano em que as pessoas estão mais solidárias para lançar uma ideia: é hora de revirar os armários e fazer uma faxina nos brinquedos em desuso. Vamos ensinar os pequenos a doar os antigos objetos de prazer que, hoje, não significam mais nada.

Psicologicamente, um brinquedo é um instrumento que ajuda a criança a entrar em contato com a realidade. Auxilia na transição entre a fantasia e a realidade, desenvolvendo, principalmente, a criatividade. Quando o objeto não tem mais esse significado, ele acaba perdendo a função saudável. E é hora de passar o brinquedo adiante.

O processo de conscientização não é tão fácil assim. Mesmo sem brincar mais, muitas crianças ficam apegadas aos objetos. Segundo o psicólogo Alexandre Streb, os pais devem dar o exemplo, devem demonstrar desapegado. É importante mostrar para o filho que, quando a roupa não serve mais, ela deve ser doada para uma instituição ou para uma pessoa com poder aquisitivo menor.

– Tem que dizer que o brinquedo que não é mais importante para ele, mas que pode ter uma grande utilidade e dar alegria para outra criança. A criança precisa ser estimulada, e esse processo ajuda a desenvolver conceitos como segurança e autoconfiança.

Streb conta da experiência de uma menina de 6 anos. No Natal passado, ela decidiu doar a bicicleta. O pai foi a uma instituição na Vila Renascença. Perguntou para a responsável pela entidade se ela conhecia alguém que quisesse uma bicicleta e que a família não tivesse condições de comprar. Pai e filha deixaram a bicicleta com aparência de nova, colocaram-na no carro e foram até o endereço indicado. Da porta da casa humilde, saiu a menina. Ela não disse uma única palavra. Os olhos espichados e marejados em direção à bicicleta diziam tudo. Impossível definir qual das duas ficou mais feliz.


Fonte: Ticiana Fontana. Zero Hora - Caderno Meu Filho, de 19/12/2011.

15 de nov de 2017

O processo de desfralde


Por Rafaella Pelisser| Psicóloga| CRP 07-16972


A retirada de fraldas abre uma etapa determinante no que se refere à autonomia e à independência da criança.
Alguns comportamentos podem ser observados, indicando que o processo de desfralde deve ser feito:
- A criança avisa quando irá fazer xixi ou cocô;
- Mostra-se chateada, inquieta, desconfortável e/ou irritada com o uso das fraldas;
- Mostra maior interesse por penico e/ou vaso sanitário;
- Faz tentativas (muitas vezes, com sucesso) para a retirada da fralda.
Após a observação do momento da criança, sua disponibilidade e interesse para isso, inicia-se o processo de desfralde.


DICAS

- O desfralde quando feito será definitivo, ou seja, a fralda não deverá ser mais utilizada (com exceção da fralda noturna que deverá ser retirada após um bom controle esfincteriano diurno);
- Lembrem-se de perguntar à criança se ela quer ir ao banheiro, a cada 30 minutos, aproximadamente. Com o tempo vá aumentando este intervalo!
- O processo deve ser o mais lúdico possível, portanto as historinhas são ótimas aliadas nessa tarefa.


SUGESTÕES DE LIVROS

Hora do penico para meninas/Hora do penico para meninos
Hora de fazer xixi
O xixi da Lulu
A incrível fábrica de cocô, xixi e pum
Existem outros títulos também... Fiquem a vontade!
O importante é fazer deste momento uma experiência prazerosa para vocês e seu filho.



IMPORTANTE

Cada nova etapa precisa ser estimulada com respeito e carinho, através de adultos confiáveis, capazes de acolher, proteger, cuidar e incentivar, por isso, a tranquilidade e a segurança dos pais reforçam positivamente a evolução desse processo. 


Paciência é fundamental, pois os "vazamentos", principalmente no início, serão comuns e fazem parte do processo.

18 de out de 2017

Bebês amamentados sob livre demanda são mais inteligentes

 Shutterstock

O que você faz quando seu filho chora? Se a sua resposta for amamentar significa que seu filho tem grandes chances de ser um excelente aluno. É isso mesmo! Um novo estudo do Instituto de Pesquisas Sociais e Econômicas da Universidade de Essex, na Inglaterra, mostrou que os bebês alimentados sob livre demanda, ou seja, sempre quem têm vontade, se saíram melhor em provas escolares, incluindo testes de QI.

Para chegar a esse resultado, os pesquisadores avaliaram 10.419 crianças nascidas em 1990. Eles compararam o desempenho escolar dessas crianças e perceberam que aqueles bebês cujos choros foram recompensados com leite ou fórmula apresentavam um QI com até 5 pontos a mais do que os bebês que tinham horários para mamar.

Segundo a pediatra Teresa Uras, membro do Núcleo de Aleitamento Materno do Hospital Samaritano, o bebê deve mamar quando e quanto quiser. Dessa forma, ele sofre menos, fica menos estressado e dorme melhor. Além disso, aprende a lidar com a saciedade, o que reduz o risco de obesidade no futuro. “Para a mãe, a mamada livre também traz benefícios. Previne a dor e o endurecimento da mama causada pelo leite congestionado. Quando a criança vai ao peito com muita fome e vontade, é comum que ela machuque o seio da mãe”, completa a especialista.

É preciso cuidar, no entanto, para que a mãe não fique exausta. Ela vai precisar de ajuda para poder estar disponível para o bebê que, aos poucos, vai criar o seu próprio ritmo de amamentação. Os pais também passam a reconhecer com facilidade o choro de fome. Ou seja, acalme-se porque vai dar tudo certo!


20 de set de 2017

O que o seu bebê já pode fazer?

Cada fase de desenvolvimento gera uma verdadeira revolução sensorial no corpo; saiba como identificar e estimular as novas habilidades do pequeno de acordo com a idade.


Recém-nascido


Pequeno e indefeso, o bebê já sabe pedir comida e avisar quando tem sono ou quer carinho.
Habilidades: ele adora ouvir a voz dos pais e isso o tranquiliza. Converse enquanto dá de mamar ou troca as fraldas. Bebês nessa fase também enxergam objetos a apenas 30 centímetros dos olhinhos, então, fique com o rosto próximo do dele.
Bom saber: é um dos momentos mais importantes para o fortalecimento entre pais e filho.


Três semanas

É a fase mais desgastante para os pais, pois eles têm de se adaptar à rotina do bebê – que ainda está se adaptando ao mundo fora do útero.
Habilidades: o bebê já fica acordado por mais tempo e tenta se comunicar, sorrindo e balbuciando. Ele também já tem mais controle sobre sua cabeça e a parte superior do corpo, embora ainda precise de apoio. As mãos passam a ser um objeto de curiosidade.
Bom saber: converse com ele para estimular a fala.


Dois meses


Agora, o bebê já interage mais com o mundo a sua volta, festejando a presença dos pais. Todo dia é uma nova descoberta.
Habilidades: hábitos de sono e alimentação já estão estabelecidos. A cor dos olhos começa a se definir e o bebê observa tudo com muito interesse. Ele também vai balbuciar e sorrir mais e sustentar o corpinho melhor.
Bom saber: começa a fase da exploração do mundo com as mãos. Portanto, cuidado com o que deixa pela casa!


Quatro meses


A idade da brincadeira! O bebê agora sorri bastante e aprende tudo com rapidez.
Habilidades: espertinho, ele chora ou derruba coisas para chamar atenção. Já sustenta a cabeça e começa a fazer experiências para aprender mais, como bater objetos sobre alguma superfície ou jogar algo no chão. Embora comece a babar bastante, a primeira dentição ainda não está chegando.
Bom saber: nesse período, o desenvolvimento físico, emocional e cognitivo do bebê acontece rapidamente.


Seis meses


Começa a fase oral, quando a criança explora tudo com a boca. Ele também já passa os brinquedos de uma mãozinha para a outra, algo novo e divertido.
Habilidades: além dos sorrisos e gritinhos, a criança vai começar a testar os pais jogando os brinquedos no chão e fazendo barulho para chamar a atenção. Ele já dorme sozinho e começa a falar as primeiras sílabas. Os dentinhos também começam a nascer.
Bom saber: com maior controle do corpo, o rebento vai se deslocar pela casa, o que requer medidas extras de segurança.


Nove meses


Totalmente ativo, o bebê já explora o mundo e experimenta tudo. A personalidade fica mais evidente e ele lembra de objetos que não estão a sua frente.
Habilidades: senta sem apoio, engatinha ou se desloca pela casa, descobrindo novos objetos e brincadeiras. Quer a mãe por perto a todo instante e passa a estranhar as pessoas. A linguagem melhora e ele passa a balbuciar “mama” ou “papa”, além de já reconhecer o próprio nome.
Bom saber: nessa fase, é comum os bebês colocarem o dedinho em tomadas, botões e interruptores.



Fonte: http://meubebe.br.msn.com/abaixodeumano/artigos/31284483. Acesso em: <02 .12.2016="">.

16 de ago de 2017

As fantasias infantis

A partir do segundo ano de vida a criança passa a viver num mundo de faz-de-conta, paralelo ao mundo real, e que é repleto de seres imaginários. Como o mundo real ainda lhe é difícil de ser assimilado e aceito, ela cria o seu próprio universo, onde tudo é possível e tem solução. É a fase do pensamento mágico e das projeções.
Nesse seu universo habitam super-heróis, mitos, fadas e monstros, capazes de brincar com ela, bem como fazê-la rir, sentir medo e chorar e, acima de tudo, ajudá-la a se desenvolver.

Como toda fase, um dia passa; para uns mais cedo, para outros mais tarde. Porém, é esperado que, por volta dos seis, sete anos de idade isso tenha terminado, uma vez que já terão se desenvolvido várias funções como a memória, a lógica e a inteligência.

Surge, então, na criança, uma ansiedade tão intensa e aflitiva, que não tem necessariamente relação com qualquer experiência assustadora anterior e cuja origem vai ao encontro do momento de vida que atingiu, quando se inicia a retirada das fraldas e o treino ao penico, o que significa que deve assumir o controle do próprio corpo.

Isto é muito angustiante, pois o fracasso significa decepcionar as figuras parentais que lhe são tão significativas e por quem ainda é tão dependente física e emocionalmente.
A criança expressa seus conflitos através do medo do escuro, de estranhos, de situações novas, do trovão, relâmpago, vento e outros temores que não se constituem fobias. Sente-se fragilizada diante de emoções desconhecidas e que não consegue dominar e compreender.
Daí a necessidade de criar um universo só seu. Na sua lógica, se os super-heróis conseguem subjugar o mal, ela também consegue; ou seja, se eles resolvem seus conflitos, ela também pode fazê-lo. Esses pensamentos mágicos lhe dão um sentido de poder muito forte e contribui para diminuir a sensação de fraqueza e de impotência diante dos adultos.

Assim, ela atribui vida aos objetos e brinquedos, depositando neles seus próprios sentimentos (projeções). É o ursinho de pelúcia que está com raiva porque a mãe brigou com ele ou o soldadinho está triste porque o pai dele foi trabalhar e não o levou junto... enfim, a criança brinca com os bonecos e bichos de pelúcia, como se fossem pessoas de verdade. Desta maneira, ela se liberta, sem culpa, de seus sentimentos negativos, ao expressá-los através dos brinquedos e objetos.

Neste momento, faz-se necessário o redobrar de cuidados, principalmente com janelas ou objetos que ofereçam perigo, pois a criança pode se sentir tentada a imitar o modo de atuar de seus personagens.

Por volta dos três anos, a criança inventa um companheiro imaginário para conversar e brincar. Geralmente este personagem é bom, prestativo e é dirigido e comandado por ela, o que lhe dá uma sensação de controle e poder.

Apesar dos monstros serem figuras aterradoras, os pais não precisam se alarmar, pois justamente por serem criaturas do mal sempre acabam derrotados nas histórias e nos desenhos.

Dentre os mitos, os mais simpáticos e bonzinhos são o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa, pois lhe dão presentes, o que fortalece e enriquece seu senso de auto-estima, por se sentir uma pessoa importante.

Assim, acreditar em Papai Noel é um dos mais significativos encantos infantis e nenhum adulto deve quebrá-lo. Ele é o símbolo do pai bom, compreensivo, amoroso e um notável substituto do pai biológico por ocasião do Natal, principalmente para a criança que não o tem presente na vida cotidiana.

Todas estas fantasias têm a função de equilibrar emocionalmente a criança, permitindo a elaboração e dissipação da angústia e o aplacamento da ansiedade. Funcionam, inclusive, como um processo de autodefesa e de auto-afirmação.

Através do faz-de-conta, a criança aprende também a entender o ponto de vista de outra pessoa, desenvolve habilidades na solução de problemas sociais e a torna mais criativa, acelerando seu desenvolvimento intelectual.
Esta é, portanto, uma etapa fundamental do desenvolvimento infantil, pois é através dela que a criança tenta elaborar seus conflitos e organizar simbolicamente o mundo real. Com o tempo vai declinando de intensidade até desaparecer por completo, como se nunca tivesse existido. Geralmente coincide com um maior domínio da linguagem e com a abertura de novos caminhos para a descarga emocional da criança.