28 de set. de 2020

O desenvolvimento das emoções

Carol do VallePor volta do 15° mês, a criança passa a ter consciência dela mesma. É a fase em que se reconhece no espelho e aprende os pronomes pessoais: eu e meu. É nessa hora, também, que começa a brincar de faz-de-conta. Quando isso ocorre, é sinal de que o cérebro está maduro, pronto para novas emoções, ligadas à idéia de identidade, de ter noção do “eu”. Um desses sentimentos é o constrangimento, que ocorre quando a criança percebe que é objeto da atenção de outras pessoas. Se você está em um grupo e aponta para a criança, ela vai ficar constrangida. Mesmo que o comentário seja positivo. Por isso, às vezes ela se enrola nas suas pernas ou esconde a cabeça quando chega um desconhecido.

Lembra quando você discutiu com o marido, não conseguiu segurar e chorou? Sua filha parou de brincar e veio para perto, passou a mão no seu rosto e disse “fique calma, mamãe”. Sim, ela era capaz de perceber a sua tristeza. Essa emoção é a empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro. É o mesmo que acontece quando ela fica quieta vendo outro bebê chorar. Já a terceira emoção ligada à idéia do eu não é tão positiva: é a inveja, quando a criança já sabe que nem tudo é dela, mas assim mesmo quer.
Por volta dos 2 anos e meio, começa a etapa final do desenvolvimento das emoções. Ela desenvolve padrões de certo e errado. Em razão disso, as emoções morais começam a se desenvolver. São elas: vergonha, culpa, humilhação e orgulho, além do húbris, ou seja, o falso orgulho. É quando alguém acha que vai bem em uma prova, por exemplo, mas, quando sai o resultado, descobre que foi mal. O sentimento aparece quando a pessoa não tem uma idéia clara de quem ela é. Essas emoções são relacionadas a valores, ou seja, para senti-las é preciso ter os tais padrões morais, ter noção de certo e errado. Aqui, mais uma vez, o papel dos pais é fundamental. É você quem vai ensiná-lo que bater no coleguinha é errado, por exemplo. Esse é um dos motivos por que a famigerada palmada é condenada: não dá para dizer uma coisa e agir de maneira diferente. A partir dessa idade, a criança tem a estrutura básica desenvolvida, isto é, já entrou em contato com as principais emoções.

Como agir daqui para a frente? Do mesmo jeito que até agora. Não é preciso malabarismos: apenas estar atento. E, claro, responder às necessidades da criança. “Se os pais agem em resposta às necessidades do bebê, se o deixam feliz e seguro, eles estarão cuidando do desenvolvimento dele”, diz Michael Lewis, diretor do Instituto para o Estudo do Desenvolvimento da Criança, da Universidade de Medicina de Nova Jersey.

Nessa hora, vale também a humildade, diz a terapeuta familiar Daniela da Rocha Paes Peres, de São Paulo. Reconhecer que ser um adulto maduro não é fácil, e que estamos constantemente aprendendo a lidar com nosso próprio mundo emocional. Assim, o ambiente fica mais leve e mais favorável a um bom relacionamento emocional. “Os pais não devem economizar no investimento afetivo”, diz ela. Devem estar disponíveis para o afeto. Afinal, essa é uma história de amor. E amar demais não faz mal, não.


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